sábado, 26 de fevereiro de 2011

Generosidade companheira


O gráfico da presente postagem revela a evolução da tarifa do tansporte público na capital tendo o dólar como base. O levantamento abrange oito mandatos (sendo os dois de Raimundo Angelim), entre 1983 e janeiro de 2011.

O levantamento foi encaminhado ao blog pelo engenheiro civil Roberto Feres. Ex-funcionário da Prefeitura de Rio Branco, onde entrou em 1984, Feres passou a lidar com assunto no ano seguinte. As informações foram atualizadas na semana passada, depois do aumento concedido pelo prefeito Angelim às empresas de ônibus, que elevaram o valor da passagem para R$ 2,40.

Clique na imagem para constatar como a prefeitura, sob o comando do PT, tem sido generosa com os empresários do setor.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Delirium tremens

Nota da coluna Acre em Foco, do jornal A Tribuna deste sábado:

Anibal Diniz
Após presidir ontem parte dos trabalhos do Senado, o senador Anibal Diniz (PT-AC) subiu mais uma vez à tribuna para, desta vez, anunciar a “febre” de produção, com geração de emprego e renda, que vem tomando conta do Acre na administração do governador Tião Viana.

Febre de produção? Parece coisa de quem sofre de Delirium tremens, não é mesmo? Mas a expressão vem a calhar em época de epidemia de dengue na capital acreana e de malária na região do Juruá.

A propósito, a citada coluna poderia se chamar "Companheiro em Foco".

A quem os petistas do Acre querem enganar?

Ângela Rodrigues

Quanta pretensão do blogueiro Leonildo Rosas ao defender em um artigo no seu blog os Viana e a espetaculosa compra do helicóptero da Helibras. Segundo o jornalista, procuradores da República estariam concentrando todas as suas energias para atacar “levianamente”, e mais, utilizando se de suas prerrogativas e dos meios de comunicação nacionais para enfraquecer os petistas no Acre e, conseqüentemente, no Brasil.

É certo, caro jornalista aliado do governo, que aqui no Acre não é segredo para ninguém a mordaça colocada na boca da imprensa. O escândalo teve início aqui e logo foi abafado, como todo princípio de incêndio na floresta vermelha.

Chamo a sociedade para uma análise acerca da denúncia em que o ex-governador petista Binho Marques teria favorecido a Helibrás ao adquirir a aeronave.

A investigação é legítima, realmente, e embasada em indícios mais do que claros de que outras empresas não teriam possibilidade alguma de concorrer igualmente, pois no edital de licitação só faltou a foto do helicóptero da Helibrás.

A matéria em momento nenhum condenou os envolvidos nas denúncias. Ao contrário, apresentou informações constantes nos autos do inquérito. O que o blogueiro deve ter estranhado é o fato de que tal notícia jamais poderia partir de um jornal local.

Sabemos que os empresários não iriam decretar a morte súbita de suas empresas, entretanto, facilmente respaldados pela mídia nacional, republicam a informação. E assim tiram o seu da reta, deixando subentendido: “Não fomos nós, mas sim o jornal A Folha quem publicou”.

Convido o blogueiro a sair do mundo encantado da floresta vermelha. Não se trata de implicância, e sim de fiscalizar a aplicação dos recursos públicos. E diga se de passagem: que recursos! Uma besteirinha que levou R$ 9,2 milhões dos cofres públicos.

A alegação do Ministério Público Federal é avalizada em critérios jurídicos, indícios fundados em investigação realizada pela Polícia Federal, e não em fuxicos.

Para quem não sabe ou simplesmente crê que tudo isso não passa de uma conspiração política vou descrever o principal papel do parquet, que é a fiscalização da aplicação das leis, a defesa do patrimônio público e o zelo pelo efetivo respeito dos poderes públicos aos direitos assegurados na Constituição.

O que deve causar revolta nos gestores petistas é o fato de que o MP ainda tem autonomia na estrutura do Estado. Graças a Deus que existem instituições como o MPF, que representa a defesa dos direitos sociais e individuais, da ordem jurídica e do regime democrático.

Do contrário, o Acre viveria uma verdadeira selva sem lei, onde gestores fariam dos recursos públicos uma farra sem controle.

Conforme Leonildo Rosas, “toda essa implicância com o helicóptero começou quando os procuradores exigiram a retirada da estrela vermelha que adorna a aeronave”. Alguém já observou a bandeira do Acre? Desde que esta denúncia estourou no meu estado pensei cá com meus botões: de fato, a estrela da nossa bandeira é vermelha, porém, diante da composição, ela é apenas um detalhe, aparece no cantinho, de forma discreta.

O correto não seria destacar o verde e amarelo? Cores mais evidentes e preeminentes na bandeira?

Seria! Mas se dentro desse “adorno” não estivessem também os ideais petistas, que são representados por uma enorme estrela vermelha.

O pretexto do então governador Binho Marques foi uma desculpa que fere nossa inteligência e a dos promotores também, os quais, diante do argumento, decidiram focar apenas nas investigações periciais, que apontam para um processo licitatório direcionado.

Se servir de consolo ao blogueiro e ao seu formoso bosque de aliados políticos, o ex-governador e hoje senador Jorge Viana, que presidia o conselho de administração da empresa na época, não sofrerá indiciamento pela autoria de fraude, queira Deus!

Fico me perguntando: será que o líder do grupo político que comanda o estado há 12 anos está perdendo seu sono com esses escândalos?

Certamente não! Até porque ele dorme muito bem acomodado sob um foro privilegiado e desfrutando de uma gorda pensão vitalícia de ex-governador, que foi reativada por ele.

Então, paremos com essa conversinha besta de que o lado B está perseguindo o lado A. Ou que “forças ocultas” têm gerado alteração no solo e nos ares acreano. Poupem a mim a e todos os demais cidadãos, que de bestas só têm a cara!

Ângela Rodrigues é acadêmica de jornalismo do Iesacre, militante filiada ao PT e ex-assessora parlamentar.

Entrei na briga

Miguel Ortiz

A risco de ser criticado por ainda ser considerado estrangeiro, apesar de meus 35 anos de Acre, 20 de brasileiro, seis de riobranquense e quase três de acreano, ademais de eleitor contumaz, de vez que a questão entrou na seara jurídica, onde vem sendo deturpada até por peritos na área, sinto-me obrigado a também expor meu convencimento sobre o tema.

Acredito que estão buscando chifre em cabeça de cavalo. A questão do horário acreano, nos termos da lei, está resolvida desde o dia em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou a homologação do resultado da consulta submetida a referendo pelo Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC). Tentarei ser didático.

Antes de esmiuçar o assunto, digamos primeiro que a Constituição Federal no seu Capítulo IV - onde trata dos Direitos Políticos - artigo 14, define que "A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos...”

Essa “soberania”, que é poder perpétuo e absoluto de uma população definida, é resultante da vontade geral. Vontade que, por sua vez, é manifestada em plebiscito, ou em referendo, ou iniciativa popular (art. 14, I,II,III).

O presidente Fernando Henrique Cardoso, em 18 de novembro de 1988, promulgou a Lei 9.709, regulamentando o artigo 14 da Constituição Federal, ou seja, regulamentando as maneiras através das quais o povo manifesta sua decisão soberana.

No artigo 2o dessa lei, é definido que “Plebiscito e referendo são consultas formuladas ao povo para que delibere sobre matéria de acentuada relevância, de natureza constitucional, legislativa ou administrativa” e, nos seus parágrafos descreve ambas formas de consulta da vontade do povo, explicando que:

§ 1o O plebiscito é convocado com anterioridade a ato legislativo ou administrativo, cabendo ao povo, pelo voto, aprovar ou denegar o que lhe tenha sido submetido.

§ 2o O referendo é convocado com posterioridade a ato legislativo ou administrativo, cumprindo ao povo a respectiva ratificação ou rejeição.

Esse preâmbulo é necessário para deixar claro, em primeiro lugar, que a mudança de horário no Acre foi enfiada goela abaixo ao povo deste Estado de forma ilegal, porque inconsulta. Tratando-se de uma questão que atingiria toda a população, jamais, apenas um político poderia decidir sobre essa questão administrativa.

O “jamais” é porque, até prova em contrário, o Acre enquanto integrante da federação brasileira é um estado democrático e de direito. Aqui não há soberano que não seja o povo acreano e como tal, somente ele – povo acreano – tem poder perpétuo e absoluto para decidir sobre o que ele deseja.

Pois bem, apesar de ter havido usurpação da soberania do povo acreano, a mudança de horário foi autorizada por uma lei ordinária. Lei que passou a vigorar quase que de imediato.

A lei que impôs o novo horário no Acre era um ato legislativo. Porquanto o objeto desse ato legislativo foi questionado pela população depois de consolidado, o TRE-AC corretamente interpretando o disposto no parágrafo 2º do artigo 2º da Lei 9.709/98 – lei complementar que regulamentou o dispositivo constitucional definidor da soberania popular e sua forma de manifestação – decidiu consultar o verdadeiro soberano e promoveu o referendo.

Recordemos que referendo é convocado com posteridade a ato legislativo enquanto que plebiscito é convocado com aterioridade ao ato legislativo.

Assim sendo, conforme manifestado na lei complementar, cabia ao povo d Acre ratificar ou rejeitar o tal ato legislativo. E os acreanos rejeitaram soberanamente a Lei ordinária nº 11.662/2008, na parte que o afetava.

Daí porque a lengalenga de se exigir outra lei é incabível. Não há suporte legal nenhum para tal pretensão a não ser o desejo de continuar ludibriando a vontade soberana do povo do Acre.

A lei 11.662/2008 foi rejeitada através de um referendo legal e democraticamente convocado e efetivado.

Isto posto, conforme regulamentado pelo artigo 10 da Lei 9.709/1998, uma vez homologado o resultado do referendo pelo Tribunal Superior Eleitoral, o ato legislativo que modificou o horário do Acre, deixou de existir.

Recordemos que esse também foi o entendimento da Assessoria Jurídica do Congresso quando afirmou que bastava a declaratória formal de tal situação e a exclusão do mundo jurídico da lei rejeitada, ou da parte dela.

Basta, pois, de enganação.

Miguel Ortiz é advogado.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Eles cabiam num fusca


Os companheiros que antes cabiam num fusca, agora saem pelo ladrão no serviço público acreano. Todos entraram pela janela, alguns mal sabem assinar o nome e outros se ofendem quando lhe chamamos a mamata de "boquinha". Dá até processo no Juizado Especial.

A foto acima, feita pelo fotógrafo Dhárcules Pinheiro, mostra que em tempos de torneiras abertas onde se banha a companheirada, a população só se afunda em problemas.

E faz lembrar que em um Estado onde a passagem de ônibus custa R$ 2,40, companheiro nenhum sabe mais o que é andar de fusca.

Astuto companheiro

O blogueiro Edmilson Alves (link aí ao lado) escreveu agora há pouco que "o senador Jorge Viana (PT) mostrou firmeza ao não acreditar no Referendo promovido no ano passado que acabou na decisão popular de restituir o fuso horário com duas horas de diferença de Brasília. Na reunião da Comissão de Constituição e Justiça – CCJ -, nesta quarta-feira, 23, Viana propôs apresentar um novo projeto de lei a tramitar na Câmara, Senado e Presidência da República a fim de retornar a hora antiga".

Ora, ora, dona Aurora, é preciso saber ler nas entrelinhas do poder. Antes da conclusão, porém, vamos às premissas:

A movimentação febril da Abert (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), capitaneada pela poderosa Rede Globo, mostrou quem estava por trás do projeto de lei aprovado por Tião Viana no Senado que atrasou em uma hora os nossos relógios.

Ante o desgaste político que a mudança acarretou, a aprovação da consulta popular proposta pelo oposicionista Flaviano Melo e a derrota nas urnas, os Viana e seus asseclas cuidam agora de tirar o atraso.

Há duas possibilidades que explicam a atitude de Jorge Viana, e notem que elas estão conectadas entre si.

A primeira é que após a lambança, Jorge sairia como o defensor do povo acreano, quando na verdade foi o seu grupo político o causador dos dissabores populares e das ranhuras na própria reputação. A segunda é que um novo projeto a tramitar na Câmara e no Senado, e depois sujeito à sanção da Presidência da República, só adiaria ad infinitum uma decisão que já deveria ter sido adotada por vontade soberana do povo.

Como o governo companheiro conta com a maioria dos parlamentares nas duas casas de lei, seria fácil protelar o resultado da petição, como ocorre com milhares de propostas que nunca são apreciadas no plenário graças à má vontade da mesa diretora.

Antes de elogiar a "firmeza" do Sr. Jorge Viana, é preciso interpretar o alcance de suas astúcias.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sempre afiado

Resposta do jornalista Altino Machado a uma colega da Frente Popular que informa, por e-mail, que acaba de criar um blog:

"Quando abri meu blog, petistas do governo do Acre diziam que era coisa de vagabundo. É mesmo. Quase todo assessor do governo agora tem blog".

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Herói de araque, mas sempre com acento

A reforma ortográfica, dia desses, me pregou uma peça. Escrevi neste blog a palavra herói sem acento, crente de que o ditongo me ampararia a revisão. Recebi até um telefonema de pessoa conhecida questionando a supressão, e recorri às novas regras para justificar a grafia. Ledo engano.

Uma das mudanças na ortografia determina que os ditongos abertos EI e OI em palavras paroxítonas, como Jiboia, joia, claraboia, bem como em colmeia, Coreia e Brasileia, perderam o acento grave. Já nos ditongos abertos ÉIS, ÉU(S) e ÓI(S) em palavras oxítonas, como em constrói, papéis e chapéus, deve ser mantido o acento.

Herói, portanto, precisa ser acentuado - ainda que ele seja de araque ou membro da Frente Popular.

Papagaio comunista

En Caracas, un niño regresa de la escuela a su casa, cansado y faminto y le pregunta a su mamá:
- Mamá, que hay de comer?
- Nada, mi hijo.

El niño mira hacia el papagayo que tienen y pregunta:
- Mamá, por qué no papagayo con arroz?
- No hay arroz.

- Y papagayo al horno?
- No hay gas.

- Y papagayo en la parrilla eléctrica?
- No hay electricidad.

- Y papagayo frito?
- No hay aceite.

El papagayo, contentísimo, gritó: ¡VIVA CHÁVEZ!

PT, quem te viu e quem te vê

O antigo bastião de idealistas, depois de perder pelo caminho todos os mais coerentes dentre eles, transformou-se numa legenda partidária como todas as outras que antes estigmatizava, manobrada por políticos profissionais no pior sentido, e, como nem todas, submissa à vontade de um "dono", porque totalmente dependente de sua enorme popularidade. Esse é o PT de Lula 31 anos depois.

Texto do Estadão (integra aqui).

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Tipo importação

No verão, quando os rios secam na Amazônia, o quilo de feijão no município de Jordão pode custar dez reais. O valor do reajuste do salário mínimo aprovado pelo governo petista vai facultar aos jordanenes, portanto, a inclusão de meio quilo do produto na cesta básica todo mês.

O vereador Izon, do PCdoB do município, dará uma banana para o partido na hora de escolher o sucessor do prefeito Hilário de Holanda Melo, do PT. Cansado da lengalenga e da enganação do governo da Frente Popular, Izon menciona a carestia dos produtos como apenas uma das inúmeras razões para as suas contrariedades políticas.

O feijão que o jordanense põe na mesa em porções insignificantes custa os olhos da cara porque vem de Rondônia e do Mato Grosso. Se o Acre produzisse alguma coisa além das filigranas políticas, os moradores do Jordão poderiam se alimentar melhor.

Infelizmente, os produtos "tipo importação" que pesam no bolso do consumidor e geram emprego e renda lá fora não se restringem à cesta básica. Neste final de semana, o presidente da empresa responsável pela construção e gestão do Via Verde Shopping, Dorival Regime, declarou à imprensa que a LGR, para tocar as obras, tem recorrido a profissionais de outros estados porque no Acre falta mão-de-obra especializada. Segundo Regime, de 60% a 70% dos trabalhadores contratados pela empresa vieram de fora.

O discurso oficial fala agora em industrialização. Sem produzir e com mão-de-obra desqualificada, trata-se apenas de um novo mote a substituir os anteriores, por meio dos quais foram feitas promessas mirabolantes de 40 mil empregos, 20 mil casas populares, saúde de primeiro mundo e até o topo do ranking entre os melhores lugares da Amazônia para se viver.

No Acre, a mentira tem muitas caras.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A lição do palhaço

Todos vimos que Tiririca votou a favor do salário mínimo de 600 reais. E soubemos todos que, perguntado se tinha errado na hora de votar, o palhaço negou, explicando que seguiu a consciência em respeito ao povo que o elegeu deputado federal.

Antes da posse, Tiririca se viu envolvido em ameaças de cassação do mandato sob alegação de que não sabia ler. Salvou-se do vexame e revelou que sua origem humilde pode ser determinante na hora de contraiar o governo.

Dos deputados acreanos, apenas Marcio Bittar (PSDB) e Henrique Afonso (PV) votaram nos 600 reais do mínimo.

Entre os demais, há aqueles cujo histórico de pobreza é cadáver enterrado no esquecimento, e para os quais o letramento é só adorno na hora de fazer discurso.

Na verdade, o palhaço Tiririca deu lição de seriedade a muito político canastrão que só sabe rir às nossas custas.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Estridência camarada

A defesa apaixonada quase sempre ofusca a sensatez. E o pouco de bom senso que resta aos donos do poder no Acre tem sido malbaratado em ideias estapafúrdias. Moisés Diniz, por exemplo, acaba de criar regras para o exercício da crítica. Ele sugere que sou incapacitado para esse direito por nunca ter sido testado nas urnas.

Pela lógica mambembe do deputado, as ideias do jornalista Celso Russomano teriam primazia sobre as de Paulo Francis, já que o primeiro foi eleito deputado estadual e federal pelo Estado de São Paulo. No entanto, Francis não precisou de votos para se consolidar como o maior e mais ácido crítico do jornalismo brasileiro, sempre com o canhoneio voltado para os veleiros da esquerda porralouca, da qual o deputado é honorário expoente.

Mas o ataque de chavismo do comunista Moisés pode ser interpretado pelo viés emocional. Seu desconforto resulta de que minhas ponderações no post abaixo desmascaram quem sempre discursa como herói, mas pode proceder como lambaio.

Não creio que o substrato do julgamento preciso seja a aprovação das urnas – sobretudo porque muita autoridade eleita entre nós têm trocado os seus por alguns caraminguás no governo da FPA. O que avaliza qualquer crítica é o discernimento, o siso e a coragem de emitir opiniões – coisas de que me gabo possuir em demasia.

No artigo em que me ataca sem me citar, Moisés diz que “Nenhum governador ou prefeito do PSDB paga salário mínimo superior ao que estabelece a lei”, o que é uma deslavada mentira. Se não o reputo um sujeito de má-fé, posso sustentar categoricamente que Moisés é um desinformado. Já em 2010, o PSDB de São Paulo pagava um mínimo de R$ 560, valor igual ao agora rejeitado pela companheira Dilma Rousseff.

Moisés diz ainda que “é pura canalhice dizer que a Perpétua defendeu o aumento” da tarifa de ônibus. Ele afirma que não sei ler – e eu, que ele, ao ler, só entende o que lhe convém. Em postagem no Twitter, respondendo ao jornalista Francisco Costa, Perpétua escreveu o seguinte:

“rapaz, três anos sem reajuste, as empresas não aguentam, é fato. Agora, acho que a prefeitura deveria ter fatiado. Ficou pesado.”

Como se pode ver, a camarada não apenas defende o reajuste, como propõe o expediente das parcelas – provavelmente porque a conta não vai pesar apenas no bolso do usuário, mas haverá de atrapalhar o discurso de que o governo petista defende os pobrezinhos.

Moisés diz ainda que na época do governo FHC tudo era pior, já que os tucanos não gostam de trabalhador. Ora, já que os petralhas do Acre têm tanta afeição pelo povo, poderiam estabelecer aqui um salário mínimo superior ao que atualmente é pago pelo governo paulista. Ou só existem recursos para remunerar companheiro que vai embarcar no trem da alegria aprovado na Assembleia Legislativa do Acre - e com o apoio de Moisés Diniz?

Só mais uma coisa: outrora o deputado comunista disse que sou daqueles que guerreiam ao sol. Ele, ao não me citar em seu artigo, parece preferir as sombras. As mesmas em que se refugia sempre que é instado a falar sobre as aposentadorias pagas aos ex-governadores.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A comunista, duas passagens de ônibus e um bombom de cupuaçu



Com a ajuda da deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC), a Câmara dos Deputados rejeitou o aumento do salário mínimo de R$ 540 para R$ 560 ou R$ 600. Seguindo a orientação do governo, a comunista cravou o voto pelo "não" e ajudou a emplacar um reajuste de cinco reais na carteira do trabalhador.

Ontem ela adoçou a boca dos colegas que endossaram o aumento mínimo do salário. Foi flagrada distribuindo bombons de cupuaçu aos demais parlamentares.

Semana passada, Perpétua Almeida defendeu o reajuste de 27% na tarifa do transporte público, que saltou de R$ 1,90 para 2,40 na capital acreana. Ela mesma, dia desses, aventurou-se em um passeio de ônibus.

Perpétua sabe que os cinco reais de reajuste do salário do trabalhador pagarão duas passagens de ônibus em Rio Branco. E que o troco, quando houver, não será suficiente sequer para comprar um bombom.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Aníbal "paparazzo" Diniz

Leio no site da Contilnet que o senador sem votos Aníbal Diniz (PT) deu uma de paparazzo nesta quarta-feira. Enquanto Jorge Viana discursava, Aníbal levantou-se da poltrona para tirar fotografias do colega.

Aníbal não é fotógrafo, copeiro ou engraxate. Mas não vou me admirar se qualquer dia desses ele for flagrado servindo cafezinho ou lustrando os sapatos do chefe.

Retrato da desfaçatez

Fidel Castro reapareceu, e para minha tristeza, não ainda como a grande assombração do regime caduco que impera em Cuba desde 1959. Em um encontro com intelectuais cubanos e estrangeiros, ele apelou para que o grupo "salve" a espécie humana. Do ex-ditador do Egito Hosni Mubarak, disse tratar-se de um grande estrategista “para esconder dinheiro enquanto 80% dos egípcios vivem na pobreza”.

Que o povo cubano vive na miséria todos sabemos. Mas se em Cuba nunca se escondeu dinheiro público, não seria pelo caráter incorruptível dos membros do Partido – mas porque as riquezas deixaram de existir num regime solapado pelas ideias retógradas dos que conduzem uma máquina repressiva destinada a moer adversários.

Fidel citou Hosni Mubarak por ironia, como se quisesse estabelecer diferenças de método entre os que alcançam o poder e são longevos, e os que se eternizam nele. Mas a diferença crucial entre um e outro é que nas ruas cubanas não há turbas de egípcios a tumultuar a vida das múmias comunistas.

O pior de tudo é que Fidel Castro deu agora para apelar à necessidade de salvação da humanidade. É como se um sujeito que pôs fogo na própria casa, com a mulher e os filhos dentro, passasse a fazer discurso contra a piromania de Nero.

E ainda tem gente que cultua esse celerado.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O coleguismo de Marta Suplicy - agora em vídeo

O vídeo deste post mostra o quiprocó entre os senadores Mário Couto (PSDB-BA) e Marta Suplicy (PT-SP) após pronunciamento de 30 minutos de Jorge Viana na tribuna do Senado Federal.

Assista ao entrevero e veja como Marta não apenas ignora o regimento interno da Casa, mas reage com a típica PTulância dos companheiros no poder.

video

Sob as bênçãos de Marta

O companheiro Jorge Viana falou trinta minutos da tribuna do Senado Federal nesta terça-feira, ao contrário dos dez minutos regimentais a que tinha direito. Marta Suplicy, que estava no comando da mesa diretora, não cortou a palavra do colega, sob o argumento de que se tratava de um discurso de estreia, conforme narrado por Reinaldo Azevedo (link aí ao lado).

Reinaldo chamou Jorge de Tião Viana, o único equívoco do seu artigo contra a sanha autoritária de uma legítima representante do que se tornou o Partido dos Trabalhadores no poder.

Obrigado, prefeito Angelim!

A assessoria de imprensa da Prefeitura de Rio Branco mandou publicar release nos jornais sobre o aumento da tarifa do transporte público. Como aconteceu no início do primeiro mandato de Raimundo Angelim (PT), a linha de raciocínio do texto oficial segue a lógica sofística de quem acha que a ingenuidade alheia não tem o bom senso como limite. A alegação de que Angelim contrariou a aprovação do Conselho Municipal de Transporte (CMT) para uma tarifa de R$ 2,65, mandando refazer os cálculos e decidindo pelo valor de R$ 2,40 - como se fosse um heroi em meio à tunga -, é de irar até mesmo um monge capuchinho.

E a lengalenga de que hoje o trabalhador compromete 20,7% da renda salarial mínima com transporte, ao invés dos 27,1% do início da gestão de Angelim, não vai comover quem precisa desembolsar R$ 105 por mês para andar em veículos escassos e recauchutados.

Ah, e esqueceram de dizer no texto que o aumento médio da tarifa nas capitais do país foi de 5,52%, contra os quase 27% de Rio Branco.

Ainda assim eles querem nos convencer de sua benignidade. O problema é que o saco de bondades dos petralhas sempre nos reserva algum insuportável malefício.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Bocalom, um "socialista democrático"

Os jornais locais receberam hoje release da assessoria de imprensa do PSDB sobre visita, na sexta-feira (11), de Tião Bocalom ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O escriba tucano errou três vezes o sobrenome do governador paulista, ao grafar Alkmin e não Alckmin. Além disso, ignora que PSDB é a sigla para Partido da Social Democracia Brasileira e não Partido Socialista Democrático Brasileiro, conforme inventou no texto.

Não se trata de um erro qualquer. Socialismo e Social Democracia são conceitos muito distintos. E o assessor de imprensa de um partido social democrata tem obrigação de não errar esse tipo de informação. Pois quando o faz, passa ao eleitor a impressão de que o político que assessora é tão despreparado quanto sua assessoria.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Fora da área de serviço

Afazeres profissionais me deixaram "fora da área de serviço" deste blog por esses dias. Neste final de semana também estarei longe daqui. Voltarei no domingo, plenamente revigorado. E prometo me dedicar mais ao blog a partir da segunda-feira. Este, afinal, será um ano de grandes emoções para todos nós.

Até a volta.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Carranca não é seriedade



Trabalhei com Aníbal Diniz na Secretaria de Comunicação do governo estadual, no tempo em que ele nem sequer imaginava que um dia iria se orgulhar de carregar no bolso do paletó uma carteirinha de senador. Os tempos mudam, e algumas pessoas mais do que os tempos.

No caso de Aníbal Diniz, a mudança se deu no rosto, que antes se iluminava com largos sorrisos e agora se fecha em esgares com pretensões filosóficas. Faz tempo que não vejo o novo senador do PT em solenidade do governo que não seja com a cara amarrada em direção às câmeras fotográficas.

Alguém precisa avisá-lo que seriedade não é sinônimo de cara feia. E que a virtude não é prerrogativa dos que se acostumaram a afetar gravidade sempre que estão em público.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Primeira venda

Uma boa alma comprou nesta quinta um exemplar do meu romance Amazônia dos brabos. Ao generoso internauta e leitor os meus sinceros agradecimentos.

Para adquirir o livro (impresso ou em forma de ebook) é só clicar aqui.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Na rede mundial

Amazônia dos brabos, meu primeiro romance, já pode ser comprado pela internet. A iniciativa atende a pedidos de vários conhecidos, para os quais não foi possível reservar um único exemplar dos cinco mil distribuídos gratuitamente pela equipe de gabinete do ex-senador Geraldinho Mesquita.

O livro conta a saga de João Gabriel de Carvalho e Melo, cearense de Uruburetama, que trocou a vegetação retorcida das caatingas pela vida na floresta Amazônica. Narra ainda as peripécias de Luiz Galvez, o espanhol conquistador que criou uma República Independente no meio do nada, além das proezas militares do coronel José Plácido de Castro.

O Clube de Autores, responsável pela comercialização da obra, publica seus livros sob demanda. De minha parte, a iniciativa não visa apenas o lucro financeiro, já que terei direito a R$ 4,50 sobre o valor de cada venda. Move-me, mais do que isso, o desejo de divulgar ao maior número de pessoas possíveis a história dos que fizeram do Acre um pedaço nobre do Brasil.

A foto da capa me foi gentilmente cedida pelo fotógrafo Dhárcules Pinheiro.

Para adquirir o livro clique aqui.

O poder errático da maledicência

Dulcinéia Azevedo é mais que uma jornalista competente que tem colocado a autonomia profissional acima das questões financeiras - trata-se de uma amiga a quem aprendi a respeitar e querer bem. Foi protagonizada por ela a primeira baixa na Secretaria de Comunicação do governo de Tião Viana, após duas semanas num cargo bem remunerado. Ao pedir para ser exonerada, Dulcinéia saiu pela porta da frente maior do que entrara, a convite do próprio governador do Acre.

Não é a primeira vez que ela demonstra ter valores pessoais e postura profissional que a impedem de vergar a coluna aos políticos, já tão acostumados a jornalistas subservientes e prontos a se desmanchar em louvaminhas em troca de uns caraminguás.

Pessoas como Dulcinéia, por fugirem à regra, geralmente são tratadas com despeito pelos que estão sempre a colocar as necessidades do estômago em primeiro lugar. Essa lógica quadrúpede não gera mais do que ilações mesquinhas.

Sobre Dulcinéia Azevedo, andam agora a dizer que teria saído da TV Aldeia para ganhar o dobro nas empresas de comunicação do Sr. Roberto Moura. Ainda que fosse verdade, tal maledicência haveria de esbarrar na óbvia admissão de que embute um elogio. Mas além de errático, o comentário expressa apenas a murmuração estúpida dos que se sentem ofendidos ante a grandeza alheia.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Os mosquitos, esses heróis

O ex-deputado Donald Fernandes (PSDB) foi internado ontem (31) no Hospital Santa Juliana com dengue hemorrágica. O quadro é estável, mas inspira cuidados, segundo me disse por telefone o filho dele, Rodrigo Fernandes. Donald é apenas mais uma vítima da epidemia de dengue que se alastra na capital, para transtorno da população e desgaste político do governo.

Enquanto o Aedes segue fazendo suas vítimas em Rio Branco, o Anopheles atazana a vida dos moradores do Juruá, em especial os de Cruzeiro do Sul.

Se a oposição não vence a Frente Popular do Acre, os mosquitos, pelo jeito, o farão.