quinta-feira, 24 de junho de 2010

O plural de cidadão II

O site da Prefeitura de Rio Branco mostra que a assessoria de imprensa de Raimundo Angelim não é muito afeita à gramática. O pessoal por lá não sabe qual é o plural de cidadão. Eles acham que é "cidadões". Devem ter aprendido com o vice-governador César Messias, outro que já delinquiu no uso do termo.

Pior que o erro em si, é que ele fez parte do discurso lido pelo prefeito Angelim durante o II Fórum Municipal de Educação, cuja abertura se deu na última quarta-feira no Teatro Plácido de Castro.

O escriba oficial explicou assim a importância desse evento: "Durante dois dias de encontro serão realizados debates à (sic) respeito das mudanças para a escola no século XXI, no que diz respeito à leitura e a escrita, além de, (sic) incentivar a iniciação das crianças no universo da leitura".

Não seria melhor iniciar no 'universo da leitura' o próprio redator da assessoria de imprensa de Angelim?

16 comentários:

  1. Archibaldo, cuidado com a gramática normativa.
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    O clichê linguístico é bem claro, a língua é um organismo vivo, ela atende às necessidades do falante e o percurso natural do próprio uso oral, que mais cedo ou mais tarde muda a escrita.
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    A resistência em torno de algumas mudanças impede os puristas visualizarem possíveis alterações em algumas palavras. É o caso do plural de cidadão. Sobre isso o Professor Cláudio Moreno, Doutor em Letras, nos responde:
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    "Caro professor, tenho escutado com certa frequência, até de acadêmicos, a palavra 'cidadões', para o plural de cidadão. Constitui-se em erro gravíssimo ou um percurso natural da pluralização desse vocábulo?"
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    A resposta:
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    "Embora tenhamos três plurais para os substantivos em ÃO (ões, ães e ãos), a forma 'default' é mesmo -ÕES, e ela deverá, com o passar dos séculos, sufocar pouco a pouco as outras duas. Todos os vocábulos que ingressaram (e naturalmente os que ainda vão ingressar) no Português a partir do séc. XIX só formam o plural em -ÕES; todos os aumentativos também. Um vocábulo como CORRIMÃO, cujo plural, considerando sua origem (correr+mão), é CORRIMÃOS, já admite também CORRIMÕES. CIDADÃO tem o plural CIDADÃOS, mas, como tu mesmo percebeste, a forma em ÕES começa seu trabalho insidioso... Por enquanto, as pessoas que falam com cuidado só admitem CIDADÃOS, mas, como sabes, as gerações se sucedem como as folhas das árvores..."
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    http://memoriasbrascubas.blogspot.com/2010/02/cidadaos-e-cidadoes.html
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    Sugiro que dê uma olhada também no Dicionário Houaiss, verbete "cidadão". Está lá, com todas as letras, em "Etimologia: sXV cidadões." Logo, esse plural por você criticado é uma forma conhecida desde o século XV.

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  2. Existem açeçôris di comunicassão que merecem a crítica mais sarcástica, os caras recebem muito bem para escrever muito mal. Em um encontro sobre educação, o prefeito lê um texto repleto de erro. O poder tem a obrigação de escrever conforme a norma gramatical.

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  3. Josafá, por enquanto sou um sujeito cuidadoso, como bem disse o teu professor aí do alto. Daqui uns dois séculos, quem sabe, poderei dizer que o plural de cidadãos é "cidadões", ok?

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  4. Dr. Karapovski da Brasil30 de junho de 2010 12:21

    Josafá,Josafá... não me venha com mais uma cartilha... Textualmente sua defesa é plausível e gramaticalmente pode-se abrir precedentes mas que o som de 'cidadões' em detrimento de 'cidadãos' é feio, lá isso é. Vocês (não você em si, mas a sigla para a qual põe-se de advogado gramatical nesta explicação tão minuciosa)tem de entender que a questão do 'cidadões' é só a ponta do iceberg. O discurso no todo estava REPLETO de assassinatos ao português-sofrido-de-cada-dia, que devem ter feito até Camões se revirar no túmulo! Cacem-me como a um cão sarnento, punam-me com represálias vãs e ainda assim eu me levantarei com a Gramática em punho! Tomem a dita-cuja pelas fuças e me deixem em paz que eu já estou de morte de tanto ver a oralidade da língua vernácula ser tão vilmente açoitada em bocas públicas! Não sou a louca da Joana D'Arc e seus poemas de hospício, mas mandei bem o meu recado! Ah, e não me liguem para pedir ajuda com discursos fajutos, é uma vergonha...

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  5. O plural de cidadão é cidadãos, não "cidadões". Ponto.

    Por enquanto, ainda sou da geração que fala "cidadãos", e não conheço gente devidamente alfabetizada que fale "cidadões". Josafá mistura conceitos.

    O fato de uma palavra ser constantemente utilizada de forma errada por pessoas sem um conhecimento básico da língua portuguesa não justifica a mudança da palavra correta, oras.

    Não é isso o que fomenta a vivacidade da língua ou o que a torna um "organismo". Imaginem a incorporação de "poblema" ou "pobrema", de "estrupo"... E já que pouca gente faz corretamente as distinções entre "por que, por quê, porque e porquê", por que não extingui-las de vez?

    ¬¬

    A gramática do crioulo doido.

    Josafá e suas relativizações infinitas, prolixas e inúteis.

    Archibaldo, não suma.

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  6. Cleomilton e Karapovski:
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    Em primeiro lugar a forma "cidadões" é conhecida e utilizada desde o século XV, segundo o dicionário Houaiss.
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    Em segundo lugar, é o USO que modifica a palavra, não a regra. Logo, o conceito de certo e errado diz respeito à forma como a palavra subsiste num determinado momento. Logo, é exatamente o contrário do que diz o Cleomilton, por exemplo: o que modifica a língua é mesmo a utilização da língua por pessoas sem conhecimento da norma gramatical culta (a forma normativa).
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    Phosphoros, Vossa Mercê, hombro, pae, sómente, prometter, cavallo e todos os estrangeirismos anexados ao nosso idioma (soutien, abajour, black-out, basket ball etc) passaram precisamente por esse caminho da regulamentação via utilização, que "cidadões" vem passando.
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    As reformas ortográficas apenas reconhecem essa mudança.
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    Como, em nossa época, "cidadões" NÃO está em desuso, mas a regra ainda não a reconheceu, gera-se esse aparente hiato entre o que diz a Norma e a utilização cotidiana do vocábulo. Mas é só isso. Não precisa demonstrar tanta subserviência a normas de registro e horror à contrução social da realidade. Pode-se deixar um poucochinho guardado no fundo do peito...

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  7. Dr. Karapovski da Brasil1 de julho de 2010 15:10

    Josafá, Josafá... tu queres nos enrolar a todos, ó matreiro astuto! Mas bem sabes tu que niguém fala mais assim como estou a palrar com vossemecê, então CAI NA REAL E ACEITA A NOSSA CRÍTICA NUMA BOA, CARA! FOI MAL, FOI PÉSSIMO, MAS O ANGELIM JÁ FALOU A BOBAGEM, FICOU REGISTRADO PARA TODO SEMPRE, PONTO FINAL E ACABOU-SE!

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  8. Cara(povski), me desculpe, mas nunca vi uma crítica verdadeira exigir ser respeitada (como se fosse uma mocinha). Crítica verdadeira usa argumento racional, geralmente sem caixa alta.
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    Isso que você exige é um belo e claro "submeta-se!, o velho argumento de autoridade, como reza a tradição provinciana do Acre. Logo, não tem valor teórico.
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    Se vocês querem criticar o poder - o Angelim, no caso - essa crítica terá que obter elementos mais profundos da realidade concreta. Argumentos.
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    O texto citado pelo Archibaldo (que, aliás, já foi corrigido no site da prefeitura) está repleto de erros, mas por que? Porque desrespeita as Normas Cultas, Sagradas e Sacro-Santas da Língua Portuguesa ou porque os assessores do Angelim - e aparentemente o próprio prefeito - estão inseridos numa situação SOCIAL que dispensa o conhecimento de normas cultas para a ascensão política, econômica etc?
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    Pensem nisso.
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    Sabe-se de um empresário acreano que assina semanalmente artigos que não escreveu. São conhecidos os casos escatológicos de políticos e suas frases de "efeito" em comícios. Há imortais numa certa Academia que jamais escreveram um livro e professores universitários titulados que não conseguem redigir um artigo por não saber juntar "lhé" com "cré".
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    O Acre, por razões históricas (que inclui as econômicas, políticas, jurídicas etc), sempre utilizou uma forma de ascensão pessoal que dispensou a erudição, o conhecimento formal. Isso desde tempos imemoriais, não é de hoje.
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    Colocar a crítica linguística, ou a recorrência, dentro do poder, de vocábulos errados dentro segundo a norma linguística da época, não é um pouco superficial demais?
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    Não só é superficial, como vai trocar seis por meia dúzia: vai substituir (se conseguir) formas culturais de comunicação por formas cultas de comunicação. O fenômeno, o cerne, continuará o mesmo: meia dúzia de esclarecidos (agora Esclarecidos, com E maiúsculo, porque são dotôres), governando a grande massa ignara (que não tem nada de maiúscula porque é massa e como não bastasse, ignara).
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    Logo, o argumento gramatical é antes de tudo um argumento de poder - o que é muito curioso, dado o caráter social da transformação gramatical...
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    Quer mais? Veja esta lição de 1922:
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    http://blogdojosafa.blogspot.com/2010/06/gramatica-e-poder.html

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    1. Caro Senhor Josafá Batista,
      O senhor seus argumentos estão embasados em sólida fundamentação. O mesmo não se pode dizer dos demais.

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  9. aro Josafá,

    Já entendemos que, segundo sua colocação, a forma “cidadões” é usada desde o século XV, Ok. Mas, por favor, não misture as coisas, não somos tolos.

    Um leitor mais desatento é facilmente envolvido por suas digressões.
    Possivelmente o uso constante e maciço de uma palavra poderá modificá-la. Foi o que aconteceu com os exemplos que você deu. Caso muito diferente dos estrangeirismos, que você citou, que foram incorporados ao português. Primeiro, porque se percebe hoje uma verdadeira resistência em se “aportuguesar” estas palavras de origem estrangeira, o “black-out”, o “soutien”, o “shopping”, o “jeans”, a “internet”, o “marketing”, o “réveillon”, o “design”, o “shampoo”, e mais uma infinidade de palavras que eu poderia ficar aqui citando, continuam sendo grafadas em suas formas originais. Aí, sim, é possível se observar que uma língua é rica e viva: pela capacidade que ela tem de se atualizar e tornar-se, cada vez mais, global e aberta.

    Os argumentos do Josafá são piores do que o do “purista” Aldo Rebelo (PCdoB), pois defendem a inserção de palavras sabidamente incorretas ao português, sob o ardiloso fundamento esquerdista do “caráter social da transformação gramatical...” e toda essa retórica vazia. O que há de mais deplorável nos marxistas é que eles vêm marxismo em qualquer coisa, o conflito de poderes está presente em tudo, o opressor (normas gramaticais formais) e o oprimido “coitadinho/vítima” (o indivíduo que não fala ou escreve corretamente). É a visão do materialismo dialético aplicável erga omnes e ad eternum em qualquer ramo do conhecimento.

    O certo é que “cidadões” ainda não é reconhecido pela norma culta. Se o Houaiss considera tal grafia correta, pratica uma exceção única. Tratando-se de gramática, jamais devemos nos guiar por exceções, mas pelo que é pacificamente entendido pela maioria dos linguistas e especialistas, isto é, pelo plural “cidadãos”. Não é o caso de discutir as “relações de poder” e o blábláblá advindos dessa discussão. Esse relativismo me incomoda sobremaneira.

    O certo é que sempre precisaremos de normas, sejam elas de cunho gramatical ou social, e isso não é simplesmente o resultado da imposição do “forte” ao “fraco”, mas sim o pressuposto para a harmonia, convivência e uniformização – três fatores indispensáveis à coexistência de indivíduos numa sociedade.
    Incontestável é que quem escreve e fala corretamente leu bastante. E se leu muito, tem conhecimento de causa sobre o assunto que se propõe a discutir.

    Infelizmente, a correição gramatical é inexistente, por exemplo, em blogs como o da UJS de Cruzeiro do Sul ou no discurso de muitos pares do Josafá - “construtores sociais” da utópica realidade socialista “futura”. Por isso acredito que ele se doeu tanto com os “cidadões” companheiros.

    Quem escreve ou fala errado não lê, e quem não lê, convenhamos, não sabe muita coisa além das experiências práticas de sua vivência. Se, como Josafá afirmou, “cidadões” é utilizado desde o séc. XV e até hoje não foi absorvido pela norma culta da língua pátria, nem soa comum à grande parte da sociedade bem educada, parece-me que não é preciso fazer muito esforço pra concluir que é uma grafia indevida.

    Um veículo de comunicação oficial tem obrigação de escrever corretamente, atentando-se à boa escrita, às regras gramaticais e à comunicação clara e objetiva. “Cidadões” é imperdoável.

    Eu não concordo com 110% do que o Josafá fala e defende, no entanto, respeito-o por ele ser um cara diferenciado ao buscar fundamentar seus posicionamentos (das formas mais esdrúxulas, é verdade), diferente de todos os marxistas que conheço, os quais têm somente um conhecimento superficial de quase tudo. Não obstante, os fundamentos para seus argumentos são completamente equivocados e frágeis.

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  10. 'Re"z"istro' Aqui a 'Ezistência' de Um 'Tal
    Anônimo Por Razões Óbvias'...Um Tal...KKK...

    Dr. Karapovski da Brasil... KKKKKKKKKKKKKKK


    Joana D'Arc

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  11. Esse debate foi muito Show, mas fala sério nunca vi uma acessoria de comunicação tão desatualizada como essa dos PETRALHAS.

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  12. Aqui só têm pessoas 'curtas' pra não dizer "cultas"... fui!!!!

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  13. o mais engraçado é que esses que criticam o uso da gramática, falam constantemente errado, ninguém fala seguindo a normal culta, isso não existe e nunca vai existir em nenhuma lingua do mundo. Já vi até professor de português duvidando que MUÇARELA se escreve com Ç e não com SS, pelo simples fato que todo mundo escreve com SS. Mas ao olhar o dicionário estava lá MUÇARELA. Então deixem de pagar de intelectuais, por que vocês estão mostrando o quanto são ignorantes sobre o assunto. Lingua não existe certo ou errado em nenhum lugar do mundo ou vocês falam VOSSA MERCÊ ao invés de VOCÊ também? Ou vocês ainda escrevem Pharmácia ao invés de Farmácia?

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  14. quem já leu sobre a história da palavra "VOCÊ" vê claramente como o poder pode influenciar a gramática

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